segunda-feira, 8 de junho de 2026

Solitude nº 2


Compus essa peça há algum tempo, num período de isolamento meio estranho e silencioso. O nome veio depois, quase como quem dá número para um quarto vazio.

Ela não tenta contar uma história específica. É mais um acúmulo de pequenas tensões, pausas, repetições e movimentos contidos. Tem momentos que parecem querer crescer e outros que simplesmente ficam parados olhando para a parede. Achei justo deixar assim.

Gosto da ideia de que certas músicas clássicas funcionam menos como “mensagem” e mais como ambiente mental. Algo entre pensamento disperso, memória confusa e contemplação involuntária de teto às duas da manhã.

Talvez Solitude nº 2 soe um pouco fria em alguns trechos. Talvez cansada. Mas não vejo isso como defeito. Tem dias em que a experiência humana inteira parece feita de corredores silenciosos, café velho e gente tentando continuar funcionando normalmente.

Enfim. Está aí.




Nenhum comentário:

Postar um comentário