Compus essa peça há algum tempo, num período de isolamento meio estranho e silencioso. O nome veio depois, quase como quem dá número para um quarto vazio.
Ela não tenta contar uma história específica. É mais um acúmulo de pequenas tensões, pausas, repetições e movimentos contidos. Tem momentos que parecem querer crescer e outros que simplesmente ficam parados olhando para a parede. Achei justo deixar assim.
Gosto da ideia de que certas músicas clássicas funcionam menos como “mensagem” e mais como ambiente mental. Algo entre pensamento disperso, memória confusa e contemplação involuntária de teto às duas da manhã.
Talvez Solitude nº 2 soe um pouco fria em alguns trechos. Talvez cansada. Mas não vejo isso como defeito. Tem dias em que a experiência humana inteira parece feita de corredores silenciosos, café velho e gente tentando continuar funcionando normalmente.
Enfim. Está aí.
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