segunda-feira, 8 de junho de 2026

Solitude nº 2


Compus essa peça há algum tempo, num período de isolamento meio estranho e silencioso. O nome veio depois, quase como quem dá número para um quarto vazio.

Ela não tenta contar uma história específica. É mais um acúmulo de pequenas tensões, pausas, repetições e movimentos contidos. Tem momentos que parecem querer crescer e outros que simplesmente ficam parados olhando para a parede. Achei justo deixar assim.

Gosto da ideia de que certas músicas clássicas funcionam menos como “mensagem” e mais como ambiente mental. Algo entre pensamento disperso, memória confusa e contemplação involuntária de teto às duas da manhã.

Talvez Solitude nº 2 soe um pouco fria em alguns trechos. Talvez cansada. Mas não vejo isso como defeito. Tem dias em que a experiência humana inteira parece feita de corredores silenciosos, café velho e gente tentando continuar funcionando normalmente.

Enfim. Está aí.




DESDOLARIZAÇÃO E FIM DA PAX AMERICANA

 Ainda no calor da Segunda Guerra Mundial, os Aliados se reuniram em Bretton Woods para redesenhar a arquitetura financeira internacional. Duas concepções brigaram entre si, representando o confronto das hegemonias em jogo: o britânico e o americano. As duas concordavam nas causas econômicas que levaram a Europa a detonarem duas guerras mundiais, mas discordavam das soluções.

O diagnóstico era que o padrão-ouro havia sido importante para manter a estabilização monetária e segurar a pressão inflacionária das moedas, mas precisamente essa rigidez era fonte de problemas quando as crises do capitalismo se apresentavam, pois, para fugir da instabilidade, os países tendiam a fazer uma verdadeira corrida para o ouro, o que estimulava políticas protecionistas na lógica “empobreça o vizinho”. Para se proteger, os demais países também erguiam suas próprias barreiras e o comércio internacional era completamente destruído, agravando a crise. Além disso, o padrão-ouro dificultava a aplicação de políticas contracíclicas, pois esta requeria uma liquidez que o metalismo negava - ao contrário do que se prega nos dias atuais, as grandes potências da época sabiam que, para combater a recessão, a aposta deveria ser em investimentos públicos e busca por pleno emprego, para poder fomentar a circulação de mercadorias e, consequentemente, de capitais. Dessa forma, ambos os lados entendiam que a nova arquitetura internacional deveria proteger o comércio internacional e, ao mesmo tempo, a estabilidade das moedas.

No corner inglês, estava John Maynard Keynes, que defendia a criação de uma moeda internacional para substituir o ouro, o bancor, além de uma instituição supranacional que supervisionasse os acúmulos de superávits ou déficits, controlando a conversibilidade das moedas conforme o resultado do balanço de pagamentos, gerando apreciação cambial para os países superavitários, o que desestimularia as exportações; e depreciação para os deficitários, o que desestimularia as importações, colocando o sistema de volta ao equilíbrio. Era um mecanismo de ajuste dos dois lados.

Do lado ianque estava White, que defendia que somente o dólar deveria ter conversibilidade em ouro, enquanto as demais moedas lastreariam o seu valor em dólar, evitando, assim, a corrida para o ouro quando as crises aparecessem. Os Estados Unidos deveriam garantir a conversibilidade entre o dólar e o ouro para manter o sistema equilibrado, garantindo a liquidez do sistema internacional. O antídoto contra os desequilíbrios se daria através da promoção do comércio internacional, que seria garantido por uma organização internacional - que, naquele momento, não saiu do papel e o mundo teve que se contentar com o GATT -, e por ajustes promovidos pelo FMI. No modelo americano, somente quem tivesse déficits seria “punido” com o remédio amargo.

Não é difícil imaginar que o modelo de White dava aos americanos um poder extraordinário sobre o comércio internacional e privilegiava os grandes exportadores de manufatura, em detrimento dos países de economia primária. Porém, apesar da proposta keynesiana parecer mais “justa”, ela guardava consigo o congelamento do poder econômico, uma vez que os países atrasados inefavelmente deveriam ter o Estado como indutor do desenvolvimento, o que gera superávits comerciais que seriam neutralizados pelo sistema bancor, criando dificuldades para ter crescimento acelerado. Via de regra, desenvolvimento com livre comércio se traduz em desvalorização cambial.

A posição mundial americana em 1944 como grande economia mundial, garantidora de suprimentos militares e empréstimos, além do seu envolvimento direto no teatro de guerra, fez com que sua proposta fosse aceita a contragosto pelas demais potências. Com isso, os Estados Unidos conseguiram um poder geopolítico extraordinário emissão de moeda, sem que isso afetasse a sua economia como afetam as demais nações, uma vez que os dólares vão para o exterior e exportam a inflação que a emissão poderia eventualmente causar - não completamente, é claro, mas em grande medida. Essa inflação funciona como uma verdadeira tarifação global que financia a economia estadunidense.

Não obstante, o arranjo do padrão dólar-ouro carregava consigo uma contradição inerente: o acordo era que os Estados Unidos seriam o único país ter moeda com conversibilidade plena com o ouro, no entanto a emissão de dólares cresce a um ritmo muito maior do que a produção deste metal, o que faz com que, no longo prazo, o país não consiga garantir a plena conversibilidade prometida. É o que ficou conhecido como Dilema de Triffin. Pois bem, esse problema já começou a surgir logo nos anos 50, quando o mundo ocidental abraçava o Estado de bem-estar social e a periferia tentava emplacar o seu crescimento acelerado via nacional-desenvolvimentismo. Para além disso, os próprios governos americanos ligaram a impressora no máximo para poder financiar sua expansão militar e sua intervenção na Guerra do Vietnã.

Um episódio inusitado aconteceu nos anos 60, quando os Estados Unidos basicamente estavam exportando papel pintado e importando bens reais para bancar o esforço de guerra e o general de Gaulle, mandatário da França, sentiu o cheiro da pirâmide monetária imperialista. O velho militar odiava a dependência europeia dos Estados Unidos, selada a a aço e dólar pelo Plano Marshall, e passou a denunciar o “privilégio exorbitante” ianque. Em 1965, anunciou que iria começar a resgatar o ouro francês que estava em Fort Knox, queria ouro mesmo, metal, não ouro-papel. Só que aí entra o detalhe curioso: como se transporta ouro de verdade? Certamente não era em containers de navios mercantes. Para viabilizar o translado, de Gaulle teve que mobilizar um navio de guerra e aeronaves militares. A imagem que ficou era: “De Gaulle manda navios de guerra buscar ouro em Fort Knox”. O gesto virou um símbolo da desconfiança ao Sistema Bretton Woods.  Depois disso, outros países começaram a pensar “peraí… talvez a França tenha visto algo que eu não tenha visto…”. As reservas começaram a derreter e, em resposta, Richard Nixon fechou a janela do ouro em 1971. A partir daquele momento, Washington determinou que dinheiro era uma questão de fé.

Esse poderia ser o preâmbulo do fim da primazia do dólar no comércio internacional, porém aconteceu justamente o contrário. Após a turbulência do Choque Nixon, uma parte do capital internacional correu para garantir estabilidade comprando ouro, enquanto uma parcela substantiva se protegeu comprando… dólares! A coisa iria ficar ainda mais doida em 1973, quando os países produtores de petróleo impuseram um embargo econômico contra os Estados Unidos e seus aliados no bojo da Guerra do Yom Kippur. O preço do petróleo quadruplicou. E os Estados Unidos de Kissinger resolveram aproveitar a crise para dar o golpe de misericórdia na autonomia da economia mundial: negociou com a Arábia Saudita que a compra do petróleo entre ela e qualquer outro país seria feito exclusivamente em dólar, em troca de proteção imperial. A Arábia Saudita, que via em Israel a sua maior ameaça à segurança, consentiu. Veja a astúcia americana: Washington cria o problema (uma Israel incrivelmente armada e militarizada) e vende a solução (bases americanas para garantir a segurança). Uma solução que parece muito com a forma de agir das milícias cariocas. Na prática, o que o hegemon estava fazendo era relastrear o seu dinheiro no ouro-preto, criando o esquema petrodólar. Não existe moeda sem lastro.

O petrodólar é um esquema de reciclagem de dinheiro que deu a tônica dos anos 70. Com o preço exorbitante e a baixa elasticidade-preço da commodity, os países do Golfo se fartaram de dólares em seus cofres, os quais eles não poderiam usar na economia interna porque ela praticamente não existia. Cabe lembrar que esses países eram praticamente uma montanha de areia com um harém sofisticado na capital. A solução para essa riqueza toda foi jogá-la no sistema bancário ocidental, gerando um excedente de capitais que foi utilizado como empréstimos para os países periféricos - as grandes transferências de crédito na Ditadura Militar Brasileira surgem do excesso de petrodólares na praça e a sua liquidez jogava os juros lá embaixo. Ou seja, parte desses dólares era recaptada pelos Estados Unidos via sistema financeiro - e assim, a burguesia estadunidense pôde engordar seus ganhos com uma medida que era, a princípio, moldada para sufocar a economia do império. E o “privilégio exorbitante” que de Gaulle denunciava, ao invés de diminuir, aumentou, afinal, petróleo é muito mais abundante e circula muito mais do que o ouro e a commodity ainda poderia ser lastreada em poderio militar.

Com isso, o sistema financeiro internacional ficou praticamente refém dos Estados Unidos. O sistema SWIFT, centralizado pelo governo americano, pode desligar qualquer um do sistema financeiro internacional, dado que o império controla a circulação de sua moeda no mundo. Com o tempo, e depois da fragorosa derrota no Vietnã, os ianques foram se dando conta de que poderiam estrangular economias e derrubar governos sem precisar desembarcar fuzileiros navais o tempo todo. O primeiro país que sofreu com as consequências disso foi Cuba, mas as sanções ainda não eram vistas como algo eficiente, uma vez que a economia cubana estava interligada ao sistema econômico soviético. 

Com a “Segunda” Guerra Fria e a eleição da social-democracia como nova ameaça candente ao capital, muito embora a retórica continuasse a ser de combate ao comunismo, os Estados Unidos começaram a testar o mecanismo com mais desenvoltura. O desmantelamento da União Soviética e do bloco socialista acelerou a primazia do dólar. Sem o perigo vermelho, Washington sente que não havia trava alguma para poder realizar seus desmandos na economia internacional. É nesse período que o Irã e o Iraque começam a sofrer pesadas sanções unilaterais. E é a partir desse momento que o império se coloca em contraposição a qualquer líder que cismasse comprar ou vender petróleo em moeda que não fosse o dólar. Muito embora a Primeira Guerra do Golfo tenha tido como pano de fundo geopolítico o medo americano de o Iraque hegemonizar as reservas petrolíferas ao anexar o Iêmen, somente nos anos 2000 é que se resolve pegar em armas para extirpar o regime de Saddam Hussein da face da terra. O momento coincide com Bagdá passando a vender petróleo em euro através do programa Oil-for-Food. Os atentados de 11 de setembro deram a desculpa perfeita para invadir o país, muito embora Osama Bin Laden fosse afegão e estivesse escondido no Paquistão. A venda de um grande volume de petróleo em euro atacava diretamente a fonte primária da hegemonia americana e em pouco tempo os marines estavam em territórios iraquianos levando democracia. 

No fundo, não era simplesmente uma questão de petróleo, mas de controle do sistema financeiro utilizando-o como lastro. Para viabilizar perante a opinião pública mundial, Bush afirmava que Hussein tinha estoques de armas de destruição em massa (a mesma ladainha que usam agora contra o Irã, que também tem desafiado a hegemonia do dólar). Antes de invadir, é claro, os Estados Unidos tentaram sufocar a economia iraquiana buscando uma “mudança espontânea de regime”: e na verdade, o objetivo não é a mudança de regime em si, mas enfraquecer militarmente para se tornar possível uma ação violenta quando o contexto torna isso possível.

O mesmo aconteceu com Muammar Kaddafi, da Líbia. Ele não apoiava nenhum “eixo terrorista”, mas ousou elaborar um plano de venda de petróleo na África através de ouro, sem mediação do dólar. Portanto, não dava para usar a cartada da luta contra o terror para promover a queda do mandatário libiano, mas levar democracia ainda estava na mesa e a Primavera Árabe criou o ambiente perfeito para isso: caos social e guerrilha urbana. Com isso, a pretexto de defender os direitos humanos, os Estados Unidos participaram ativamente dos combates, com suporte aéreo e inteligência para capturar o presidente libiano e dá-lo aos sublevados para que o linchasse até a morte para o mundo todo testemunhar. Não se trata aqui de defender a monocausalidade em relação à proteção do dólar, mas sua centralidade na definição da política violenta dos Estados Unidos.

Essa centralidade explica, por exemplo, porque os Estados Unidos optaram por agredir o Irã sem provocação neste ano (2026), para além do convencimento do presidente Benjamin Netanyahu e da explicação fácil de que o maior império do mundo é proxy de um condomínio de fulanos que vivem de ajuda estatal e genocídio. Porém, antes de avançar até Teerã, teremos que voltar no tempo, passar pelo World Trade Center e fazer uma escala na Ucrânia. 

A virada aconteceu em resposta ao 11 de setembro, no qual Washington fica completamente viciado em usar o poder ultrassoberano de emitir sanções unilaterais, elevando-o a um patamar sem precedentes. A Ordem Executiva 13224 permitiu congelar ativos e expulsar entidades do sistema financeiro global sob acusação de terrorismo - e é claro que quem definia quais eram os terroristas seriam os próprios Estados Unidos. Com isso, eles intensificam as sanções contra o Iraque e contra o Irã, cortando os dois do SWIFT. É uma militarização total do sistema financeiro, que atinge ainda outro cume quando os ianques decidem punir empresas estrangeiras (aliadas!) que negociassem com o país persa, as secondary sanctions. Daí veio pacotes mais abrangentes de sanções contra a Coreia do Norte e depois contra a Rússia, galgando outro degrau em 2017, quando as sanções começam a ter uma superestrutura administrativa própria, convertendo formalmente as sanções como política banal.

O paradoxo é que a exposição prolongada às sanções econômicas não só fomentam a união nacional, como faz com que o país se industrialize na marra, pois o Estado precisa voltar a maior parte de sua máquina econômica para o mercado interno e para o setor de segurança e tecnologia de ponta. E aí mora a grande contradição: quando os Estados Unidos sancionam um país, eles estão sancionando a si mesmos, uma vez que aquele país para de usar o dólar como moeda de curso internacional e autarquiza a sua economia. Menos dependência do dólar significa diminuição do poder hegemônico estadunidense. 

Essa vulnerabilidade ficou muito clara com a agressão russa contra a Ucrânia que se iniciou em 2021: o Ocidente correu para puxar a tomada de Moscou do SWIFT, na esperança de que isso causasse uma catástrofe econômica no país e o máximo que conseguiram foi a expulsão do capital ocidental do território russo e uma crise de inflação gerada pela escassez energética, que atingiu aos seus próprios países, como uma criança que cospe para cima. Em resposta, muitos países passaram a comprar e vender petróleo em outras moedas ou até mesmo através do comércio compensado, demonstrando que o poder dos embargos econômicos não são onipresentes. Na prática, usar o poder militar do dólar para manter a hegemonia americana está acelerando o seu processo de decadência, uma vez que nega mercado a si mesmo e diminui a dependência, além de fomentar alternativas a esta moeda. Com isso, os Estados Unidos perdem a sua maior arma de política externa, que é a chantagem financeira.

E isso explica, também, porque a agressão ao Irã foi uma aventura catastrófica, mas não de toda sem alguma racionalidade. Donald Trump pode ser um inepto em muitos aspectos, mas ele sabe muito bem que a hegemonia americana é garantida mais pelo dólar do que pelo poder militar in natura ou pelas “regras do sistema”. Falar que o regicídio do Aiatolá Ali Khamenei foi inspirado unicamente pelos interesses israelenses é negar o papel que o Irã tem na desdolarização do petróleo. O monstro começou a ser criado ainda nos anos 80, quando Washington resolve sancionar um grande país produtor de petróleo, na esperança de vê-lo capitular. Como a vitória não foi possível, tentou cercar o país de inúmeras formas, mas ele era simplesmente muito grande para se resolver com um golpe da CIA ou com bombardeios - e praticamente impossível de se invadir. Por isso, a importância de terminar a Revolução Islâmica via regicídio, porém, os ianques descobriram, a duras penas, que o regime político iraniano não era centralizado no líder espiritual e logo se viram num atoleiro que agravou o problema: em resposta, Teerã fechou o Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do comércio internacional de petróleo, causando inflação nos Estados Unidos e no mundo. O mais grave disso tudo, para os ianques, é que a Guarda Revolucionária resolveu desobstruir parcialmente Ormuz se os países aceitassem pagar desembaraços em yuan.

Mas não é só esse pilar que ameaça a hegemonia do dólar. Há algo muito mais fundamental nisso tudo: o imenso déficit comercial que os Estados Unidos realizam graças à sua impressora mágica. Para manter o seu poder hegemônico, Washington emite títulos da dívida pública e vende ao FED, que compra e disponibiliza dinheiro vivo para o governo. O FED então revende esses títulos para outros países. Esses títulos têm o mesmo papel que o ouro: trata-se de um bem simbólico que pode ser reconvertido em dólar se o pessimismo bater. No entanto, eles têm uma vantagem sobre o ouro: o ouro é escasso, os títulos podem crescer ad infinitum, basta ligar a impressora. Não obstante, quanto mais os títulos vão sendo emitidos, mais inflação mundial vai gerando, além de diminuir paulatinamente a margem para o resgate desses papéis com um valor que valha a pena. Em outras palavras, o dólar se deprecia a si mesmo.

A maior parte desses títulos estão em posse da China (ela provavelmente tem mais dólares em sua posse que os próprios Estados Unidos). Caso haja o que os “pundits” burgueses gostam de chamar de “crise de confiança”, pode-se haver uma corrida por resgate, assim como houve com o ouro perto da Primeira Guerra ou no Entreguerras, ou mesmo no fim do Sistema Bretton Woods; ou, no limite, como aconteceu na Crise de 1929. Essa “confiança” pode muito bem se esvair se os fluxos de pagamento ou resgate forem interrompidos de maneira abrupta - basta um crash no setor certo, que nem o afrouxamento monetário será capaz de conter a sangria. A economia americana não apresenta apenas algumas bolhas, é um verdadeiro queijo suíço, especialmente após a desregulação do sistema financeiro neoliberal - IA, endividamento educacional, complexo industrial-militar, criptomoedas, setor imobiliário, para citar os que estão mais na moda. O fim da hegemonia americana passa necessariamente por essa crise, que será o fator reorganizativo da relação entre capital e trabalho - e, na prática, isso significa empobrecimento, fome, vácuos de poder e guerra sistêmica. A análise do atual panorama da economia internacional não só mostra que o Dilema de Triffin continua relevante, como ele será o responsável pela debâcle da atual fase de acumulação capitalista.


sexta-feira, 10 de outubro de 2025

Desmitificando a Imigração em Portugal: Dados, Fatos e a Necessidade de Esclarecimento Político

No contexto das eleições autárquicas de 2025 em Portugal, o debate sobre imigração tornou-se especialmente acalorado. Muitas pessoas bem-intencionadas, sem identificação direta com a extrema-direita, acabam sendo atraídas por discursos populistas devido à insatisfação social e preocupações reais. Movidas por inseguranças quanto ao futuro do país, e expostas a explicações simplistas, podem direcionar seu voto para partidos como o CHEGA acreditando que a imigração está “descontrolada” e que prejudica emprego e bem-estar nacional.

Esta perspectiva, ainda que compreensível no clima de incerteza, colide com todos os dados oficiais. O artigo abaixo desmistifica crenças comuns, apoiando-se em fontes como o INE, Observatório das Migrações e Segurança Social portuguesa.

O Desafio Demográfico Português: Imigração Como Solução, Não Problema

O Encolhimento Populacional

Projeções do INE (2025) indicam que Portugal terá 8,3 milhões de habitantes até 2100 — menos 2,4 milhões face a hoje. O drama é triplo: baixa natalidade (1,4 filhos por mulher), envelhecimento acelerado e emigração de nacionais.


  • Jovens (0-15 anos): cairão de 1,4 milhão para menos de 1 milhão.

  • População ativa (15-64): de 6,8 milhões para 4,2 milhões.

  • Idosos (65+): de 2,6 para 3,1 milhões.


O índice de dependência de idosos aumentará drasticamente, tornando o sistema de Segurança Social insustentável sem a entrada de migrantes. Num cenário sem migração, Portugal teria apenas 6,5 milhões de habitantes em 2080, demograficamente inviável.

Mito 1: "Os Imigrantes Sobrecarregam a Segurança Social"

Os números oficiais refutam o mito:

Os dados oficiais destroem completamente este mito. Segundo o Observatório das Migrações e dados da Segurança Social:

Em 2022: Os imigrantes contribuíram com 1.861 milhões de euros para a Segurança Social, enquanto receberam apenas 257 milhões de euros em prestações sociais, resultando num saldo positivo de 1.604 milhões de euros.

Em 2023: As contribuições dos imigrantes atingiram o máximo histórico de 2.677 milhões de euros, com prestações de 484 milhões de euros, mantendo um saldo líquido amplamente positivo.

Os imigrantes são cerca de 7,5% da população, mas representam 13,5% dos contribuintes. Contribuem quase sete vezes mais do que recebem.​

Como afirma Catarina Reis Oliveira, diretora do Observatório das Migrações, os dados revelam que os estrangeiros são essenciais para a sustentabilidade do sistema. Sem sua participação, o colapso da Segurança Social seria acelerado.

Mito 2: "Os Imigrantes Roubam Empregos aos Portugueses"

Complementaridade, Não Competição

É comum ouvir que “os imigrantes tomam os empregos dos nacionais”. Na realidade, os dados mostram que:


  • Imigrantes suprem carências em setores como restauração, hotelaria, agricultura, construção civil, limpeza, cuidados a idosos — áreas com escassez de mão-de-obra nacional.

  • Na saúde, há falta crônica de médicos, dentistas e farmacêuticos, o que leva o SNS a depender de profissionais estrangeiros para garantir acesso a cuidados essenciais.


Criação de Emprego Indireto


A imigração também cria empregos indiretos. Cada imigrante que se estabelece em Portugal consome bens e serviços, paga impostos, arrenda habitação e contribui para a atividade económica local. Estudos internacionais mostram que, a médio prazo, a imigração tende a aumentar o número total de empregos disponíveis numa economia.

Mito 3: "Portugal Tem Que Caminhar Com as Próprias Pernas" - A Fragilidade Económica Portuguesa

Dependência do Turismo


A economia portuguesa está estruturalmente dependente de setores vulneráveis, sendo o turismo o exemplo mais evidente. Em 2024, o turismo contribuiu com 34 mil milhões de euros para a economia, equivalente a 12% do PIB e responsável por mais de 400 mil empregos.

Limitações estruturais do modelo turístico:

  • Sazonalidade: Embora tenha havido progressos na redução da sazonalidade, o peso dos meses de junho a setembro ainda representa 44,1% das pernoitações anuais.

  • Vulnerabilidade externa: O setor é altamente sensível a crises internacionais, pandemias e instabilidade geopolítica

  • Salários baixos: As remunerações no setor turístico correspondem a apenas 91,1% da remuneração média nacional

Fraqueza Industrial

Portugal tem uma base industrial limitada. O PIB da indústria manufactureira atingiu 7.060 milhões de euros no segundo trimestre de 2025, representando uma fatia relativamente pequena da economia nacional comparada a outros países europeus. Esta fragilidade industrial torna o país dependente de:

  • Importações de bens manufacturados

  • Investimento direto estrangeiro

  • Transferências da União Europeia

  • Remessas de emigrantes portugueses

Necessidade de Cooperação Internacional

A ideia de que "Portugal tem que caminhar com as próprias pernas" ignora a realidade da economia globalizada. Países pequenos como Portugal dependem estruturalmente de:


  • Comércio internacional

  • Turismo estrangeiro

  • Investimento externo

  • Cooperação europeia

  • Mão de obra imigrante para setores estratégicos

A Manipulação Política da Extrema Direita

Capitalização da Insatisfação


Partidos como o CHEGA usam estratégias bem documentadas para capitalizar a insatisfação legítima da população. Estas táticas incluem:

  • Simplificação excessiva de problemas complexos

  • Criação de bode expiatórios (imigrantes, minorias)

  • Discurso "anti-sistema" que apela ao ressentimento

  • Uso de dados manipulados ou estudos inventados

O livro "Na cabeça de Ventura", do jornalista Vítor Matos, revela que a notoriedade política de André Ventura foi construída "a partir de um estudo inventado ou manipulado" sobre a insegurança em Loures, usado para culpar a comunidade cigana. Este padrão de manipulação de dados é recorrente na extrema direita.

Desinformação Coordenada

Estudos recentes da empresa Cyabra revelaram que as contas oficiais do CHEGA e de André Ventura "mostraram os níveis mais altos de manipulação coordenada no discurso político", com 58% dos perfis que comentavam identificados como falsos. Estas contas amplificaram 494 comentários promovendo o partido e reforçando "temas de nacionalismo e preservação cultural".

O Contexto Europeu

A ascensão da extrema direita não é exclusiva de Portugal. Como documenta o working paper "A Ascensão da Extrema-Direita na Europa", publicado pelo Observatório Político, estes movimentos capitalizam "queixas econômicas e uma reação cultural" resultantes de crises financeiras e mudanças sociais.

A estratégia é consistente: usar a insatisfação legítima para promover agendas autoritárias que, paradoxalmente, agravam os problemas que dizem resolver.

A Ingenuidade da População e a Necessidade de Literacia Política

O Papel da Desinformação

Conversas com “pessoas comuns” nas ruas ilustram um fenómeno mais amplo: pessoas trabalhadoras e honestas sendo influenciadas por narrativas que contradizem os seus próprios interesses. Isto resulta de falta de acesso a informação oficial fidedigna, prevalência de narrativas simplistas nas redes sociais, ausência de educação cívica sobre política migratória e desconfiança generalizada nas instituições.


Conclusão: A Imigração Como Necessidade Estratégica

O objetivo aqui não é apenas defender a imigração — os números já o fazem. O verdadeiro propósito é denunciar como a extrema direita explora cinicamente a ignorância populacional para implantar sua agenda fascista, escondendo-se atrás do pretexto de "mudança".

A tática é sempre a mesma:

  • Explorar medos legítimos da população sobre emprego, segurança e identidade nacional

  • Criar inimigos fictícios (imigrantes, minorias, "o sistema") para canalizar a raiva social

  • Apresentar-se como "solução" enquanto oferece respostas simplistas para problemas complexos

  • Disseminar desinformação através de estudos falsos, dados manipulados e campanhas coordenadas

  • Perpetuar a ignorância atacando instituições, especialistas e fontes de informação credíveis

O resultado desta manipulação é devastador para a sociedade: em vez de resolver os problemas reais que afetam as pessoas (habitação, salários, serviços públicos), a extrema direita semeia o ódio, a hostilidade e a divisão social. Transforma vizinhos em inimigos, trabalhadores portugueses contra trabalhadores imigrantes, criando conflitos artificiais que apenas beneficiam aqueles que lucram com o caos social.

A "mudança" prometida pela extrema direita é, na realidade, um retrocesso civilizacional: o abandono da razão em favor do preconceito, a substituição do debate democrático pela violência verbal, a rejeição da cooperação internacional em favor do isolacionismo autodestrutivo.

E não se iludam: esta não é uma realidade exclusiva de Portugal. O onda fascista se manifesta em diversas partes do mundo atualmente. Além disso, a História demonstra como os movimentos populistas instrumentalizam sistematicamente a insatisfação social para seus próprios fins.

Os dados apresentados neste artigo revelam uma verdade inconveniente para os populistas: Portugal precisa de cooperação, de abertura ao mundo, de políticas baseadas em evidência — não de muros, ódio ou autoisolamento. A imigração não é o problema; o problema é a exploração política da ignorância.

É responsabilidade de todos os cidadãos democratas — independentemente da sua posição política — combater esta manipulação através da educação, do acesso à informação credível e da defesa dos valores democráticos. Porque quando a ignorância se torna arma política, a democracia está em perigo.

A verdadeira mudança não vem do ódio — vem do conhecimento, da solidariedade e da construção coletiva de um futuro mais justo e próspero para todos.

Fontes

CNN Portugal (29/09/2025): "População de Portugal vai cair de 10,7 para 8,3 milhões em 2100"
ECO (29/09/2025): "População em Portugal vai cair para oito milhões no final do século"
CNN Portugal (17/12/2023): "Imigrantes deram à Segurança Social sete vezes mais do que receberam"
Jornal de Negócios (23/05/2024): "Contribuições dos imigrantes deram mais de 1.600 milhões de lucro à Segurança Social"
ECO (30/09/2025): "Portugal é dos países onde imigrantes mais ajudam a reduzir fardo fiscal do envelhecimento"
RTP (02/02/2025): "Contribuições aumentaram em 2024. Imigrantes 'seguram' a Segurança Social"
Artigo original: "Encolhimento demográfico: até 2080 Portugal terá sua população reduzida em 2%"
Observador (31/07/2025): "Turismo contribuiu com 12% para o PIB português em 2024"
Jornal SOL (01/10/2025): "Turismo. Tábua de salvação da economia portuguesa"
ECO (07/10/2025): "Novos destinos e menos sazonalidade. Turistas procuram mais que sol e praia em Portugal"
Trading Economics: "PIB de Portugal a partir da Produção Industrial | 1995-2025"
Socialistas e Democratas (22/09/2025): "Lutar contra o fascismo e a extrema-direita"
Observatório Político: "A Ascensão da Extrema-Direita na Europa"
Observador (29/01/2024): "Livro. Ventura ganhou notoriedade com dados falsos"
CNN Portugal (15/05/2025): "Perfis falsos espalham desinformação na conta oficial do CHEGA no X"
CNN Brasil (22/07/2023): "Por que os partidos de extrema direita estão em marcha pela Europa"



quarta-feira, 17 de setembro de 2025

Jair Não Vai

 Finalmente o dia chegou. Bolsonaro foi condenado, e o país inteiro respirou — e não foi só um suspiro de alívio, foi uma explosão de festa nas ruas. “Jair Não Vai” captura exatamente esse clima: a vitória do povo contra a estupidez, a impunidade e o autoritarismo que por anos nos sufocou.

Essa música não é só crítica: é celebração. É para rir da cara do absurdo, dançar sobre o desastre e sentir o gosto doce de uma justiça tardia, parcial, mas necessária. Aperte o play, sinta a vibração da rua, e celebre. Porque, sim, Jair não vai — e o Brasil finalmente pôde festejar como merecia.


Letra:

Sábado à noite é hora de samba
Mas Jair não vai, pois está em cana
Domingo é bloco na rua animada
Mas Jair não vai, tá de tornozeleira dourada

Na terça tem baile no centro da cidade
Mas Jair não vai, perdeu a liberdade
Quarta é feijoada na casa da tia
Mas Jair não vai, PF não permitia

Mas Jair não vai, ô não vai não
Tá de prisão domiciliar, capitão
Mas Jair não vai, ô não vai não
Nem pra comprar pão no portão

Na sexta tem roda de samba na praça
Mas Jair não vai, tá trancado em casa
Sábado tem pesca no rio com os amigos
Mas Jair não vai, PF não dá abrigo

Segunda é churrasco do gado no sítio
Mas Jair não vai, e reclama no ofício
Quinta é motociata até o litoral
Mas Jair não vai, Moraes fechou o quintal

Mas Jair não vai, ô não vai não
Tá de prisão domiciliar, capitão
Mas Jair não vai, ô não vai não
Nem pra comprar pão no portão

“Ô Jair… o Brasil tá no bloco e você no sofá.
Segura aí a cuíca imaginária, capitão!”

sábado, 23 de novembro de 2024

Rússia bombardeia Ucrânia com míssil hipersônico inédito após Kiev utilizar mísseis de longo alcance dentro de território russo


Foto: soldado ucraniano se protege de ataque à míssil. Associated Press.


        O presidente Vladimir Putin afirmou que a Rússia continuará testando seu novo míssil hipersônico Oreshnik em combate e já possui um estoque pronto para uso, enquanto a Ucrânia declarou estar trabalhando no desenvolvimento de sistemas aéreos para enfrentar a nova arma.

        Putin fez essas declarações na sexta-feira, um dia após a Rússia lançar pela primeira vez o novo míssil de alcance intermediário contra a Ucrânia, um passo que ele disse ter sido motivado pelo uso de mísseis balísticos dos EUA e mísseis de cruzeiro britânicos pela Ucrânia em ataques contra a Rússia.

        O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy afirmou que Kyiv está colaborando com seus parceiros ocidentais para desenvolver sistemas que enfrentem “novos riscos”.

Putin descreveu o uso inaugural do Oreshnik (avelaneira) como um teste bem-sucedido e afirmou que outros seguirão.

        “Continuaremos esses testes inclusive em condições de combate, dependendo da situação e da natureza das ameaças à segurança criadas para a Rússia”, declarou em comentários transmitidos pela televisão.

        Essas declarações ocorreram horas após o parlamento ucraniano cancelar sua sessão, citando o risco de um ataque de mísseis russos contra a capital. O encerramento das atividades legislativas seguiu a decisão de várias embaixadas estrangeiras de suspender temporariamente suas operações devido à ameaça de um ataque a Kyiv.

          “Houve também uma recomendação para limitar o funcionamento de todos os escritórios comerciais e ONGs que permanecem naquele perímetro, e os residentes locais foram alertados sobre o aumento da ameaça”, afirmou o parlamentar Mykyta Poturaiev.

       Outro deputado, Oleksiy Goncharenko, classificou a decisão como “ridícula”, dizendo que isso apenas “gerou ainda mais pânico” em Kyiv e favoreceu os interesses do presidente russo Vladimir Putin.

        O porta-voz de Zelenskyy informou aos jornalistas que o gabinete presidencial está funcionando normalmente.

           A Rússia iniciou uma guerra de agressão contra a Ucrânia em fevereiro de 2022, após Kiev pleitear a entrada para a OTAN, aliança dos países ocidentais de caráter antirrusso.

        Na quinta-feira, Putin disse que as forças russas dispararam um novo míssil balístico de alcance intermediário contra a Ucrânia em resposta ao uso de mísseis feitos nos Estados Unidos e no Reino Unido por Kiev nesta semana em ataques a alvos na Rússia.

        O Kremlin disse na sexta-feira que o míssil balístico hipersônico recém-desenvolvido que lançou na cidade central de Dnipro foi um aviso aos países ocidentais de que a Rússia responderá às suas ações "imprudentes".

        A Rússia não foi obrigada a avisar os EUA, mas o fez mesmo assim 30 minutos antes do lançamento do míssil Oreshnik, ou "árvore de avelã", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

        A arma voou por 15 minutos e atingiu uma velocidade máxima de mais de Mach 11, disse a agência de espionagem da Ucrânia na sexta-feira, acrescentando: "O míssil estava equipado com seis ogivas: cada uma equipada com seis submunições."

        Peskov insistiu que Putin permaneceu aberto ao diálogo, apesar do que ele chamou de preferência do presidente cessante dos EUA, Joe Biden, por "escalada". Os EUA aprovaram o uso pela Ucrânia de seu Sistema de Mísseis Táticos do Exército de longo alcance (ATACMS) para conduzir ataques bem dentro do território russo.

        Zelenskyy, falando em seu discurso noturno em vídeo na sexta-feira, descreveu o uso do novo míssil pela Rússia como uma escalada.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

ET Bilu está ficando Milionário: a farsa de Urandir e sua Cidade Zigurats

Você já ouviu falar do ET Bilu, o extraterrestre que ficou famoso em 2010 por aparecer em um programa de TV e dizer "busquem conhecimento"? Pois é, ele não passa de uma invenção de Urandir Fernandes de Oliveira, um ufólogo que lidera a comunidade Cidade Zigurats, antigo Projeto Portal, em Corguinho, Mato Grosso do Sul. Urandir é um mestre em criar histórias que mexem com o imaginário popular e que lhe rendem fama e dinheiro. 

Além do ET Bilu, ele também é o diretor do filme "Terra Convexa", que defende que a Terra não é redonda, nem plana, mas convexa nos continentes e plana nas águas. E ainda tem um continente desconhecido separado por um paredão de gelo. 

Mas a sua última polêmica é a mais absurda de todas: a descoberta de Ratanabá, uma cidade perdida no meio da Amazônia que abriga seres gigantes de 450 milhões de anos. Urandir afirma que fez o mapeamento da área com uma tecnologia chamada Lidar, que usa pulsos de laser para medir distâncias.

Ele diz que sabe a localização exata da cidade, mas não pode divulgar porque órgãos como a Unesco, a ONU e o Iphan querem tomar a Amazônia do Brasil. Essa teoria maluca chegou a ser defendida pelo ex-secretário de Cultura, Mario Frias, que recebeu Urandir e sua equipe em setembro de 2020, quando ainda estava no cargo. Frias fez uma publicação nas redes sociais elogiando o trabalho da Dakila Pesquisas, a associação criada por Urandir para estudar civilizações antigas e alienígenas. 

 Mas o que Urandir ganha com tudo isso? Muito dinheiro, é claro. Ele é o dono da BDM Digital, uma criptomoeda que é usada como moeda oficial na Cidade Zigurats, onde ele vende e aluga imóveis, além de oferecer serviços de hotelaria, restaurantes, lojas e até uma faculdade. 

Ele também tem uma empresa de viagens, que leva os interessados a conhecer as suas supostas descobertas, como a Terra Convexa e Ratanabá. Tudo isso é uma grande farsa, que engana e explora as pessoas que acreditam nas suas mentiras. Urandir não tem nenhuma credibilidade científica, nem provas concretas do que diz. Ele já foi desmentido por pesquisadores renomados, que afirmam que a Terra é redonda, que o ET Bilu é uma fantasia e que Ratanabá não existe. 

 Se você quer saber mais sobre essa história e se divertir com as loucuras de Urandir, não perca o meu podcast "ET Bilu está ficando Milionário", onde eu faço uma análise crítica e bem-humorada de todas as suas farsas. Você pode ouvir no Spotify, no Deezer ou no seu aplicativo favorito. Busquem conhecimento, mas não o de Urandir!


quarta-feira, 1 de novembro de 2023

Sete prisioneiros, incluindo três detentores de passaportes estrangeiros, foram mortos no ataque aéreo israelense ao campo de refugiados de Jabalia, conforme anunciado pelo Hamas.

Na semana passada, as Brigadas Qassam, a ala armada do Hamas, também afirmaram que "quase 50" prisioneiros israelenses foram mortos em ataques aéreos israelenses.

As autoridades israelenses não confirmaram os números.

O exército israelense afirma que existem 240 prisioneiros em Gaza, incluindo israelenses, estrangeiros e detentores de dupla nacionalidade.

Quatro mulheres foram libertadas, e um soldado israelense foi resgatado durante uma operação terrestre, de acordo com as autoridades israelenses.


[Mohammed Al-Masri/Reuters]